Mais Médicos ampliará atendimentos em atenção básica

A Secretaria de Saúde está solicitando, junto ao Governo Federal, mais um profissional do programa Mais Médicos para o ESF – Estratégia de Saúde da Família, da Vila Fátima. Desta forma, a Secretaria terá três equipes completas com médicos 40 horas, ampliando a cobertura de atenção básica em saúde que teve redução drástica de 2012 para cá ? de 73% para 24%. ?Conseguimos ampliar a cobertura para 48%, a partir do início de 2017, quando assumimos?, diz o Secretário de Saúde, Renato Soares.A médica cubana Yadira Pino Morales, 39 anos, está há um ano e meio em Dom Feliciano e atende no ESF da localidade de Santa Rita, a 17 km da sede. Veio para cá, através do Mais Médicos. Segundo Renato, ?o trabalho das médicas dos ESFs é muito importante?. ?Estão junto das comunidades e contemplam a carência que tínhamos de profissionais que se dispusessem a trabalhar nas comunidades rurais?.O atendimento das cubanas?Recebi muito apoio desde o início?, diz Morales. ?É muito bom para o médico esta afetividade das pessoas, grande parte em situação de vulnerabilidade?. Segundo ela, uma das prerrogativas de todo médico cubano é tratar o todo do paciente, incluindo aí visitas às moradias.Morales conta que, em Cuba, há grande número de médicos comunitários ? ?quase que um para cada quadra?. ?Lá a medicina está mais próxima das pessoas?.  Cuba possui um dos sistemas de atenção primária em saúde mais proativos do mundo, aliada à prioridade dada à medicina preventiva e ao investimento destinado ao setor: 10,57% do PIB em 2015, muito acima de países como Estados Unidos, Alemanha, França e Espanha.Morales ressalta que lá não há, muitas vezes, a estrutura oferecida nas unidades de saúde da família do Brasil, considerando que a maior dificuldade aqui é na demora nos resultados, quando os pacientes são encaminhados para exames ou especialistas, devido a grande demanda. ?Esta demora vai contra o processo de tratamento?, observa.Já a cubana Bárbara Vitallia Leon  Sanches, 42, está no Brasil há quatro anos, permanecendo em Dom Feliciano há seis meses – atende no ESF do Faxinal, 25 km da sede. Ficou um tempo em Porto Alegre, trabalhando na periferia. Considera que o acompanhamento nas visitas domiciliares é bem diferente, principalmente, devido às distâncias. ?Mesmo as doenças não se apresentam da mesma forma?, diz.  ?Aqui atendemos todo tipo de emergência, e o atendimento é mais rápido?. Observa também que na capital o contato com as pessoas é mais instável ? ?aqui há pessoas que moram desde que nasceram no mesmo lugar?.  Concorda com a colega Morales com relação ao acolhimento dos pacientes, ?são mais queridos e próximos?.Sanches explica que em Cuba a prática acontece desde o primeiro ano da faculdade. ?Nosso estudo não é para entrar na doença, mas nas pessoas, dentro das comunidades?, conta. Segundo ela, são estimulados para despertarem interesse aonde o paciente trabalha e mora, com reforço na comunicação. ?Há muita tecnologia de ponta lá que não temos acesso, mas em contrapartida temos este foco na pessoa, onde atua, e isto é muito importante?.