18 de Novembro de 2018

Prefeitura Municipal de Dom Feliciano

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Olival muda paisagem e é alternativa de diversificação

20 de Junho de 2018

Em 2017, primeira colheita de azeitonas de Dom Feliciano, a Olivas Costa Doce trouxe da Itália para o Município medalha de prata em concurso de azeite extra virgem ou, como é conhecido comercialmente, azeite de oliva. Já, em 2018, têm destaque como medalha de ouro no prêmio EVO International Olive Oil Contest (EVO IOOC). “Isto prova que Dom Feliciano está dentro dos parâmetros para produção de oliveiras”, diz o gerente de produção de campo da Olivas Costa Doce, Rodrigo Lopes. Em 15 de junho, o Secretário de Desenvolvimento Rural Sustentável, Marco Tyska, esteve mais uma vez na Fazenda Fortaleza, na localidade Remanso, conversando com os pioneiros do cultivo no Município para articular esta alternativa como mais uma opção de diversificação renda para os agricultores e agricultoras. 
A Empresa montou no Município um lagar (agroindústria) para extração do azeite. Da ponta do maquinário, onde é colocada a produção colhida manualmente, até o final da extração são 40 minutos: lavagem, seguida de moagem da fruta inteira, com o caroço inclusive, prensagem da pasta para extração do azeite, decantação e/ou centrifugação para retirada da água e filtragem. Depois, fica armazenado por cerca de uma semana para posterior envasilhamento. Do azeite obtido é analisado o teor de acidez, que até 0,8% classifica o produto como “extra virgem”. Acima de 2% não são adequados para o consumo humano e são submetidos a processos químicos, denominados refino, que reduzem a acidez, mas não permitem que o azeite seja classificado como extra virgem. 
Há empresas que reutilizam o bagaço, mas a prática é proibida pela legislação brasileira, sendo aqui direcionado para adubagem. A Empresa pode beneficiar tanto a marca própria, como para terceiros, ou ainda comprar a produção de interessad@s. “Este ano, somamos ao beneficiamento produções de Encruzilhada do Sul”, diz. 
A primeira colheita, no ano passado, foi processada em Caçapava do Sul. A capacidade do lagar é de 600 kg/hora – com possibilidade de ampliação. “A capacidade pode ir a três mil quilos/ hora”, considera Rodrigo. “Vejo que a oliveira, em curto período, vai ser uma alternativa bem significativa para agricultura do Município e região”. Este ano, foram produzidos no lagar 2,5 mil litros do azeite Costa Doce.
Estudos apontam viabilidade
A Embrapa Clima Temperado, através do projeto “Introdução e desempenho agronômico de cultivares de oliveira no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina”, tem realizado intensivas atividades de pesquisa. O estudo aponta Dom Feliciano, Sentinela do Sul, Tapes, Caçapava do Sul e Fronteira, por exemplo, como favoráveis para cultivares. A Fazenda Fortaleza, que tinha atividades voltadas para reflorestamento e pecuária , entre outras, direcionou o foco para as oliveiras. Há cinco anos plantaram 2.363 pés – quatro variedades em oito hectares, e hoje, a espetacular paisagem de 100 hectares soma 24.800 pés. A colheita manual, realizada em fevereiro, durou três dias, com mão de obra temporária de 30 homens e mulheres. Para a próxima, a previsão de trabalho é de 30 dias. “As flores começam a se formar em setembro”, diz Rodrigo.
Segundo Rodrigo, a oliveira não gosta de solo baixo e úmido. Requer cerca de 270 a 300 horas de frio, abaixo de 6 graus até 10. “Temos de sobra a elevação do nível do mar – 220, 230 metros, dependendo da lavoura, e bastante direcionamento norte- quanto mais luz melhor”, explica.
A longevidade das oliveiras é grande. Estima-se que algumas das oliveiras presentes em Israel tenham mais de 2 500 anos de idade. Em Santa Iria de Azoia, Portugal, há uma oliveira com 2 850 anos. Mas, já com três anos, começa a render frutos – cerca de 5 a 7 kg por árvore. “Após o oitavo ano, considerado o período de maturidade, pode render entre 20 e 30 kg”, explica. Para a fabricação de um litro de azeite, são necessários cerca de sete quilos da fruta.

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